quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Introdução à Gravura

Foi uma matéria muito tensa que fiz durante o terceiro semestre (há dois anos, credo). A professora já tinha certa fama de carrasca, mas de ser a melhor do departamento em gravura de metal. Okay, ela foi realmente muito boa professora, mas o final desse semestre foi o mais desesperador de todos os tempos. Para tirar MM, era preciso 5 impressões de cada gravura: um linóleo, duas pontas secas e uma colorida. E não é fácil ter uma impressão decente, principalmente de linóleo (e imagino que xilo seja o mesmo drama). O papel rasga, falta meio milímetro pra impressão ficar completa, existem mínimos detalhes diferentes entre duas de uma série e qualquer errinho meleca tudo. De cerca de 30 impressões que fiz que cada gravura, restaram em média 7 de qualidade passável. No final, fiz duas pontas secas, duas de linóleo (aproveitando frente e verso da borracha, ha!) e uma colorida. 

As primeiras idéias pra ponta seca (sobre metal), foram essas:



Acabei fazendo a da ovelha, que não é a minha favorita, mas a professora me convenceu que era a "menos pior" (sim, a maior simpatia). Enfim, não gostei dela, não achei pra escanear, mas ainda tenho a matriz, talvez um dia imprima de novo.

Logo depois parti pro linóleo e depois de muitos e muitos estudos não aprovados, consegui fazer essa:


Tive variados problemas com a mão e a pessoa sendo comida, que funcionava bem no desenho, mas quando impresso não ficava bom de jeito nenhum. Depois de muito quebrar a cabeça, e algumas patadas, consegui mais ou menos ajeitar. A parte realmente difícil do linóleo (e da xilo) é que, como você retira a matéria (ou "abre o branco"), qualquer erro pode acabar com tudo porque simplesmente não tem volta. Além disso, mesmo planejando muito o desenho, torna-se óbvio o quanto as linguagens são diferentes e o que funciona pra um não necessariamente funciona pra outro. Por esse motivo, é muito comum que gravuristas cubram a madeira de preto antes de pensar a imagem, já que você precisa planejar o branco, o vazio, e não o contorno. 

Obtive um pouco mais de sucesso com a segunda linoleogravura:



Nessa etapa, já estava muito mais feliz com o que havia aprendido e a segunda ponta seca saiu muito mais rapidamente, com um traço mais seguro e solto. Graças, também, a um instrumento super supimpa emprestado pela professora, que ganhou de um cara que fazia equipamento de dentista. É bem diferente da ponta seca comum, dá um aspecto mais parecido com o de bico de pena e é uma maravilha de se trabalhar.


A gravura colorida, também de linóleo foi feita na maior picaretagem (um catavento com quatro cores) e fiz somente cinco impressões mais ou menos porque trabalhar com mais de uma cor com tinta gráfica é absolutamente infernal e eu não desejaria esse tipo de tortura pra ninguém. 

Enfim, fiquei apaixonada pelas técnicas que aprendi e gostei muito mesmo dos meus resultados durante o semestre. No semestre seguinte fui monitora de Introdução com outra professora e aprendi toneladas de coisas novas e incríveis. Uma delas foi fazer gravura colorida com aquarela, como os japoneses fazem aqueles absurdos de gravuras com mais de 50 cores. Acabei não fazendo mais gravura já que nos semestres seguintes me concentrei no desenho e na pintura, mas fazendo essa retrospectiva me deu muita vontade de dar continuidade a esse trabalho. Veremos! 




quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Então eu estava fazendo um trabalho de FEA...

E tem essa parte em que eu, supostamente, deveria fazer "um memorial que explicite um momento marcante em seu processo de ensino-aprendizagem em artes". Não sei se eu fiz exatamente o que a professora quer, e acho que vai soar repetitivo aqui no blog, mas é isso aí:

"Não sei se é possível criar um artista, mas ensiná-lo no sentido da libertação individual, guiá-lo, conduzi-lo, por que não? A necessidade do estímulo é algo que está presente em todos os processos educacionais e de desenvolvimento. No ensino das artes, o estímulo acontece de diversas maneiras. A técnica tem a sua importância, e não raro escutamos que, se você quer ser desenhista, desenhe 3 horas diárias. O aprimoramento da técnica é uma forma de estimular o estudante a ir além de seus limites e, com o domínio da mesma, poder utilizá-la ou distorcê-la a seu favor. O fazer artístico deve ser constante, seja no desenho de modelo vivo ou na elaboração mental de instalações para cada espaço que a pessoa percorre. Durante as matérias Desenho 1 e 2, tudo o que desenhei foram modelos vivos e paisagens e nesse primeiro ano tive um grande desenvolvimento e meus desenhos ficaram cada vez mais parecidos com o real. Mas para quê? E grande foi a minha surpresa de chegar na terceira matéria de Desenho e não ter de desenhar como eu havia aprendido. Ali, nós desconstruiríamos os conceitos, os pré-conceitos e mesmo a folha em branco. Foram propostos alguns exercícios em grupos: fazer o desenho no espaço utilizando uma linha (de lã) e a folha de papel em branco. Agora, o espaço era o suporte e a forma de pensar o desenho nesse novo suporte precisava ser completamente diferente. Pessoalmente, todas as minhas experiências foram bastante estimulantes e resultaram num trabalho final para a matéria que eu jamais me teria imaginado realizar antes dela. Por isso penso também como é importante que haja professores com as mais diversas pesquisas, cada qual poderá surpreender com formas diferentes de olhar o trabalho do “artista em desenvolvimento”. A crítica é também muito importante, tanto a partir dos professores e colegas como a construção da mesma, aprender a criticar um trabalho é mais uma forma de aprender a apreciar uma obra de arte e, quem sabe, até compreendê-la. Outra experiência que me marca continuamente é a produção em ateliers coletivos e as conversas dentro dos mesmos. Durante todas as matérias práticas que cursei, a maior parte do proveito foi compartilhar a produção das mais diversas formas de expressões artísticas, inclusive a de professores. Teoricamente, a disciplina Estética do departamento de Filosofia foi a mais estimulante e avassaladora até hoje. O foco da disciplina foi o Surrealismo analisado por Walter Benjamin e todos os seus desdobramentos estéticos. Apaixonei-me pelo ideal surrealista como falado por Benjamin e ao mesmo tempo passei a detestar as obras de arte produzidas pelos membros do movimento, que penso jamais chegarem à altura do próprio surrealismo. Em Projeto Interdisciplinar, tive experiências de angústia e êxtase ao ser colocado o verdadeiro desafio que é escrever sobre o próprio trabalho. O contato com textos de psicologia da arte contribuíram para um caminho sem volta para a busca do aprofundamento do meu trabalho e idéias. Enfim, pode ser que isso não seja ensinar, de fato, um artista (ainda tenho minhas dúvidas se me tornarei uma ou o que de fato ser um artista implica), mas é certamente possível estimular e instigar o “aspirante”."



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